Com 63 unidades móveis em operação em 27 unidades da Federação, a iniciativa já atendeu mais de 72 mil pessoas, realizou mais de 202 mil procedimentos e ajudou 29 municípios a zerar filas de atendimento
Texto: Paula Bittar | Fotos: Arquivo/AgSUS




Há seis meses, no dia 10 de outubro de 2025, as estradas brasileiras passaram a levar mais do que deslocamento: o cuidado, o diagnóstico e o tratamento chegou para quem aguardava por atendimento especializado. De lá para cá, as carretas da saúde do Programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, vêm mudando a paisagem da assistência em diferentes regiões do país, aproximando o SUS de quem mais precisa e encurtando distâncias entre a população e o acesso à saúde.
Nesse primeiro semestre de operação, o Programa alcançou resultados expressivos. Atualmente, são 63 carretas em funcionamento em 27 unidades da Federação, sendo 36 de Saúde da Mulher, 17 de Exames de Imagem e 10 de Oftalmologia. Juntas, as unidades móveis já atenderam 82.059 pessoas e realizaram 237.598 procedimentos, segundo dados atualizados no início deste mês. Na oftalmologia, foram realizadas 19.845 cirurgias de catarata, com 10.647 pessoas recuperando a visão. Além disso, 30 municípios zeraram a fila em especialidades contempladas pela iniciativa.
Para o presidente da AgSUS, André Longo, os números refletem o caráter inovador da estratégia adotada para ampliar a oferta de atenção especializada no SUS. “As carretas da saúde representam uma inovação importante na oferta de atenção especializada, porque levam estrutura, equipes e capacidade de resposta diretamente aos territórios. É uma solução que aproxima o cuidado das pessoas, reduz vazios assistenciais e diminui o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. Em apenas seis meses, os resultados mostram que é possível inovar com compromisso público e fortalecer o SUS com mais resolutividade”, explicou.
A força da iniciativa também está na diversidade de frentes atendidas. As carretas percorrem o país com foco em áreas estratégicas, como saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia, adaptando a oferta às necessidades locais e permitindo respostas mais rápidas em municípios de diferentes portes. O rodízio das unidades já beneficiou mais de 160 localidades em todas as regiões do Brasil e segue em expansão.
“Mais do que números, os resultados mostram que a atenção especializada pode chegar com mais rapidez, eficiência e alcance quando há coordenação entre governo federal, municípios e parceiros. Nas estradas e nas cidades, as carretas da saúde seguem reafirmando que inovação, no SUS, também significa fazer o cuidado chegar primeiro”, afirmou a diretora de Atenção Integral à Saúde da AgSUS, Luciana Maciel.
De acordo com o gestor executivo da Unidade de Atenção Especializada da AgSUS, Diego Ferreira, os resultados alcançados até aqui mostram a capacidade de articulação do poder público e a adesão dos prestadores à proposta. “Esse avanço é resultado de um esforço coordenado pelo Ministério da Saúde, que estruturou uma resposta ousada para enfrentar filas e ampliar o acesso à atenção especializada. Mas ele também revela algo muito importante: o empenho do mercado em atender o SUS, colocando capacidade instalada, equipes e soluções à disposição de uma política pública que tem feito a diferença na vida das pessoas”, ressaltou.
Uma das vidas que mudou com o atendimento das unidades móveis foi a de Thelma Almeida. Ela é agente do cuidado na carreta da Saúde da Mulher que passou por Ceilândia, Taguatinga e, agora, em Planaltina no Distrito Federal. O trabalho dela é receber as pacientes com exames e consultas marcadas. É com ela que as mulheres têm o primeiro contato com o serviço. Como muitas usuárias do SUS no DF, Thelma também precisava fazer mamografia e foi chamada pela secretaria de Saúde para o agendamento na carreta em que trabalha.
“Tive recomendação para fazer uma mamografia na carreta. Deu alteração, fui encaminhada para fazer uma ultrassom, que deu alteração também. Eu fui automaticamente acolhida pela carreta. Estou sendo cuidada, estou sendo tratada e podendo cuidar das pessoas. Isso, para mim, é de grande valor”, contou Thelma. Histórias como essa mostram que o Programa tem consolidado uma entrega que combina mobilidade e planejamento.
