Cerca de 30 pacientes dos povos Deni e Kanamari passam por cirurgias de catarata e pterígio em Itamarati, no Amazonas, município mais próximo das aldeias e referência hospitalar na região
Texto e fotos: Adriã Baré

Itamarati (AM) – Entre os dias 11 e 22 de fevereiro, o município de Itamarati, no Amazonas, recebe mutirão do programa Agora Tem Especialistas, com a realização de cirurgias oftalmológicas para indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes.
A ação é coordenada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), a Associação Médicos da Floresta (AMDAF), o Distrito Sanitário Especial Indígena Médio Rio Solimões e Afluentes (DSEI/MRSA) e a Prefeitura de Itamarati.
Ao todo, cerca de 30 pacientes dos povos Deni e Kanamari passam por cirurgias de catarata e de pterígio no Hospital Municipal de Itamarati.
Município de referência mais próximo das aldeias
Os pacientes vieram de diferentes aldeias da região e enfrentaram cerca de dois dias de deslocamento por via fluvial até Itamarati, com apoio do DSEI Médio Rio Solimões, responsável pela organização do transporte e pelo acompanhamento durante o trajeto.
Itamarati é o município com estrutura hospitalar mais próximo das aldeias onde vivem esses povos. A escolha de Itamarati para realização do mutirão de cirurgias foi estrategicamente pensada para evitar deslocamentos para centros urbanos mais distantes, como Manaus, reduzindo o tempo de viagem e facilitando o acesso ao atendimento especializado.
“Quando a gente organiza um mutirão como esse em Itamarati, estamos trabalhando para encurtar distâncias que, na Amazônia, são reais e impactam diretamente o acesso à saúde. Garantir que essas cirurgias aconteçam no município mais próximo das aldeias significa reduzir deslocamentos longos e fortalecer uma rede que integra atenção especializada, gestão local e equipes do DSEI. Com isso, nossa preocupação inclui todos os detalhes em todas as etapas, como alimentação, logística, transporte sanitário e os aspectos interculturais necessários”, afirma Edson Oliveira, gestor executivo da Unidade de Saúde Indígena da AgSUS.
O mutirão também dá sequência à etapa realizada em agosto de 2025 no Médio Rio Solimões, na Aldeia Morada Nova, quando foram promovidas consultas especializadas e triagens oftalmológicas no território indígena. Na ocasião, foram identificados pacientes com indicação para cirurgias oftalmológicas que necessitavam de ambiente hospitalar para a realização dos procedimentos. “Nosso foco é assegurar que o cuidado iniciado no território seja concluído com resolutividade, segurança do paciente indígena e interculturalidade”, explica Edson Oliveira.


Alojamento, alimentação e acompanhamento
Durante o período do mutirão, pacientes e acompanhantes estão alojados em uma escola municipal do centro de Itamarati, organizada e adaptada para garantir acompanhamento contínuo no pré e no pós-operatório. O espaço foi adaptado para a permanência das famílias, com redes instaladas nas salas e equipes de saúde em monitoramento permanente.
Profissionais de saúde do DSEI Médio Rio Solimões também acompanham a rotina no alojamento, incluindo a organização das refeições. O cardápio foi planejado considerando os hábitos alimentares das comunidades atendidas, assegurando alimentação adequada durante todo o período de permanência no município.
O DSEI também disponibiliza intérpretes das línguas Deni e Kanamari, o que garante a comunicação adequada entre pacientes e equipes de saúde em todas as etapas do atendimento.
Primeiro mutirão de 2026 voltado à saúde indígena na Amazônia
A iniciativa marca o primeiro mutirão de 2026 do Programa Agora Tem Especialistas direcionado à saúde indígena em território amazônico. Em 2025, os mutirões realizados nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Vale do Javari, Alto Rio Solimões, Médio Rio Solimões e Afluentes Xavante, além do DSEI Yanomami e Ye’kwana, somaram mais de 20 mil atendimentos a indígenas, entre consultas, exames e procedimentos especializados.
O programa integra a estratégia do Ministério da Saúde para ampliar o acesso à atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em regiões de difícil acesso.
