Em região de difícil acesso, mutirão do SUS leva atendimento oftalmológico a indígenas Munduruku

Indígenas atendidos pelo DSEI Rio Tapajós recebem consultas, exames especializados e óculos de grau diretamente na Aldeia Posto Munduruku (PA)

Cerca de 300 indígenas do povo Munduruku recebem, nesta semana, atendimento oftalmológico especializado diretamente na Aldeia Posto Munduruku, no sudoeste do Pará. O mutirão de atenção especializada integra o Programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com a AgSUS e o projeto Aldeia em Foco.

A ação segue até o dia 22 de maio e prevê consultas em oftalmologia, exames especializados e entrega de óculos de grau para indígenas do Posto Munduruku e de comunidades adjacentes. A iniciativa amplia o acesso à atenção especializada em uma região de grandes distâncias, desafios logísticos e acesso predominantemente fluvial.

O território Munduruku possui mais de 231 mil km² de extensão e 195 aldeias assistidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Rio Tapajós. As longas distâncias e a complexidade do deslocamento na região ainda representam um desafio para as equipes de saúde e impactam diretamente a continuidade do cuidado especializado.

O deslocamento das equipes até a Aldeia Posto Munduruku começou em Santarém (PA), em um trajeto aéreo de quase três horas até a comunidade Missões. De lá, a viagem seguiu por cerca de duas horas de barco até o local onde os atendimentos são realizados.

Atendimento especializado no território 

Entre os procedimentos estão exames de acuidade visual, tonometria, retinografia e biomicroscopia de fundo de olho. A programação inclui ainda a capacitação de profissionais das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) para aplicação de testes de acuidade visual e o fortalecimento da atuação dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN).

Nas consultas, Agentes Indígenas de Saúde também atuam como intérpretes e fazem a mediação entre as equipes de saúde e os pacientes, respeitando os modos de comunicação e as especificidades culturais do povo Munduruku. A atuação contribui para que as orientações médicas cheguem às comunidades de forma mais acessível.

Ação interinstitucional 

Além dos atendimentos oftalmológicos, a ação reúne diferentes frentes de cuidado, proteção social e garantia de direitos no território. As instituições parceiras desenvolvem ações de apoio institucional, emissão de documentos, orientações jurídicas e articulação comunitária voltadas às comunidades indígenas atendidas.

A iniciativa mobiliza uma atuação intersetorial entre o Ministério da Saúde, a AgSUS, o Aldeia em Foco, o WWF-Brasil, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas, a Defensoria Pública da União, a Polícia Civil e a Fundação Oswaldo Cruz, que atuam de forma integrada para ampliar o acesso das comunidades indígenas a políticas públicas e serviços essenciais no território.