Abril Indígena: Mutirões de atenção especializada realizarão 12 mil atendimentos no Pará e Amazonas

Carretas da Saúde e os programas Primeiro Emprego e Jovem Aprendiz também marcam as ações anunciadas em evento no Ministério da Saúde

Neste mês dedicado aos povos indígenas, cerca de 12 mil atendimentos especializados serão realizados em territórios indígenas dos estados do Pará e Amazonas. Os mutirões do Ministério da Saúde, executados pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), integram o programa Agora Tem Especialistas e foram anunciados durante o lançamento de ações estratégicas para a saúde indígena, nesta quinta-feira (9/04), no Ministério da Saúde.

Também foram anunciados como iniciativas a serem executadas pela AgSUS os programas Primeiro Emprego Indígena e Jovem Aprendiz, além da oferta dos serviços das carretas da saúde da mulher em quatro territórios: Pacaraima (RR) e Santarém (PA), a partir de 17 de abril, e em Barra do Garças (MT) e São João das Missões (MG), a partir de 24 de abril. Elas oferecem consultas especializadas, exames ginecológicos e rastreamento de câncer de mama e de colo do útero, e permanecem 30 dias em cada localidade, levando diagnóstico e prevenção diretamente aos territórios.

O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; da secretária de Saúde Indígena do Ministério, Lucinha Tremembé; do diretor-presidente da AgSUS, André Longo; da diretora de Atenção Integral à Saúde da Agência, Luciana Maciel, do diretor de Operações da AgSUS, Williames Pimentel; do cacique Raoni Metuktire Kayapó e de outras importantes lideranças indígenas de todo o Brasil.

“Estamos muito felizes por fazer parte desse processo, sob a liderança da SESAI, como braço de apoio ao Ministério da Saúde. Queremos agradecer a confiança que os povos indígenas depositaram na AgSUS para a gestão da força de trabalho nos territórios”, afirmou André Longo.

A secretária Lucinha Tremembé, da SESAI, destacou diversas ações estruturantes para a saúde indígena e reforçou a parceria com a AgSUS. “Tivemos avanços na infraestrutura, saneamento, orçamento e, principalmente, na força de trabalho, na qual contamos diretamente com a AgSUS. Queremos continuar fortalecendo essa parceria, que tem como consequência melhores atendimentos de nossos usuários dentro dos territórios”, disse Lucinha.

“Hoje é um dia importante para celebrar avanços, mas, sobretudo, para reafirmar o nosso compromisso de continuar lutando, planejando e trabalhando para proteger a saúde dos povos indígenas. Cada medida que anunciamos aqui, cada vida salva, cada programa implementado, não representa apenas mais saúde. Representa a proteção dos territórios indígenas e o fortalecimento das comunidades que defendem essas terras”, afirmou o ministro Padilha.

Mutirões nos territórios indígenas

Os mutirões de atenção especializada serão realizados, com entidades parceiras, em cinco Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI): Guamá-Tocantins – Rio Arapiuns (PA), de 6 a 12/4, com parceria da ONG Zoé; Alto Rio Negro (AM), de 10 a 19/4, com parceria da Associação Médicos da Floresta; Altamira (PA), de 16 a 23/04, com parceria da Aldeia em Foco; Guamá-Tocantins –  Oriximiná e TI Marapuera (PA), de 24 a 30/4, com parceria da ONG Zoé; e Médio Rio Purus (AM), de 24/4 a 3/5, com parceria da Associação Médicos da Floresta.

Entre as especialidades contempladas estão clínica médica, pediatria, ginecologia, oftalmologia, dermatologia e exames diagnósticos. Em 2025, os mutirões nos territórios indígenas somaram cerca de 20 mil atendimentos. 

Primeiro Emprego Indígena e Jovem Aprendiz

O programa Primeiro Emprego Indígena oferecerá inicialmente 150 vagas para atuar nas equipes de saúde dos DSEI. A iniciativa é importante para ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho e contribuir para a redução de desigualdades.

Já o Jovem Aprendiz Indígena é uma parceria com o Senac direcionada para jovens de 14 a 22 anos. Serão ofertadas 110 vagas para atuação em Brasília, sendo que a primeira turma iniciou em março. O programa conecta qualificação técnica e experiência prática, estruturando trajetórias de formação e inserção profissional.

Gestão da força de trabalho para a saúde indígena

Em 2025, a AgSUS assumiu a gestão da força de trabalho da saúde indígena nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e nas duas Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) nacionais, em Brasília e São Paulo. Atualmente, são 18.517 trabalhadores e trabalhadoras em atuação na saúde indígena, dos quais 69% são indígenas, reforçando o protagonismo dos povos indígenas no cuidado em seus próprios territórios.

“A AgSUS hoje é a maior contratante de indígenas do Brasil, o que nos orgulha, mas também amplia nossa responsabilidade. Nosso compromisso é garantir recursos humanos qualificados para os territórios e fortalecer uma saúde indígena construída com protagonismo dos próprios povos”, reforçou André Longo.

Outro marco deste mês é a instalação da Mesa Nacional de Negociação do Acordo Coletivo de Trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde indígena. A iniciativa institui um canal estruturado de diálogo em âmbito nacional e estabelece uma data-base para esses profissionais.

Assistência em saúde mental para trabalhadores

A AgSUS também implantará, em abril, uma plataforma de cuidado em saúde mental voltada a todos os trabalhadores da Agência. O serviço inclui teleatendimento psicológico e psiquiátrico, plantão psicológico e ações de promoção do bem-estar, com acesso por plataforma digital.

Paralelamente, a Agência lança 36 Guias dos Serviços de Cuidado e Proteção, sendo 34 destinados aos DSEI e dois às CASAI nacionais. O material reúne o mapeamento das redes existentes e organiza os fluxos de encaminhamento, qualificando o acesso ao cuidado, fortalecendo a resposta em saúde mental e orientando a atuação das equipes diante de situações de vulnerabilidade nos territórios.